Representatividade LGBTQIA+ no entretenimento, a importância de ver no dia a dia.
Por Clarice Seligman
3/11/2021 16:11
Atualmente vemos muitos debates e polemicas sobre representatividade, nas telas, no mercado de trabalho, no mundo. Pelo motivo dessa causa, tão simples, que só querer que todos terem oportunidade e voz. Pensando na história da humanidade que sempre teve alguma comunidade a ser reprimida, e mesmo que muitos digam o contrário, isso não acabou.
Isso traz uma dependência muito grande da rede social, tanto que muitas pessoas não conseguem nem se imaginar mais sem o WhatsApp, o que é meio louco se pensarmos que o aplicativo só tem 12 anos de existência. Essa dependência foi muito perceptiva durante a queda no WhatsApp, Facebook e Instagram que tivemos recentemente.
Das poucas obras que retratam personagens LGBTQIA+ a maioria mostra personagens extremamente estereotipados, ou que sempre sofrem durante a narrativa. Por que as histórias desses personagens não podem ser contadas como felizes? Ou como pessoas “normais”? A falta de uma boa representatividade pode não ser percebida por algumas pessoas. Mas muita gente sofre por não ter com quem se identificar.
Dizem que colocar personagens LGBTQIA+ é desnecessário para a história ou que até estraga a obra por isso. Mas nunca vi ninguém reclamar de personagens heterossexuais ou cisgênero. O fato de a representatividade ser tão excluída não é lógico, e sim, apenas preconceituoso, de todos os modos. Uma produtora não incluir personagens da comunidade nos seus filmes é tanto por falta de mentalidade da própria empresa e dos consumidores, que reclamam tanto de quem o personagem fictício ama ou é.
Atualmente (início de novembro de 2021) está sendo muito comentado um caso especifico, de um quadrinho da DC Comics (conhecida pelos seus multiversos de super-heróis). A saga atual “Superman: Son of Kal-El" mostra a vida de Jon Kent, o atual Super-Homem filho de Clark Kent com Lois Lane. Jon é um personagem relativamente novo em relação ao seu universo, pois foi criado em julho de 2015. Jon se assumiu bissexual na quinta edição dessa saga, gerando muitas discussões na internet.
Muitos “fãs” do Super-Homem reclamaram, dizendo que estragaram o personagem da infância deles, e que não se pode inventar essas coisas em um personagem clássico. O que mostra que os supostos fãs, nem sequer pesquisaram algo sobre a hq, visto que no nome da história já mostra que o protagonista é filho de Kal-El, o nome kriptoniano do Super-Homem original.
As pessoas reclamam de histórias com representatividade, em alguns países um simples beijo de personagens do mesmo gênero já vira motivo de censura +18, mesmo se for um desenho animado infantil. Supostamente por personagens LGBTQIA+ influencia as crianças a “virarem” da comunidade, sendo que a maioria das pessoas LGBTQIA+ admite crescer sem praticamente nunca ver alguém como elas. Criando o sentimento de que o que elas sentem é errado e estranho.
A maioria dos livros, filmes, quadrinhos e séries criam personagens carismáticos e realistas, com sentimentos reais, fazendo o público se identificar. E isso é o que a comunidade LGBTQIA+ quer. Se ver em cenas, mostrando que ser quem você é não é errado, e sim normal. Histórias que mostram todo tipo de pessoa com a mesma normalidade é o mínimo que merecemos, para mostrar para quem assiste o quão diversificado o mundo é, e mesmo assim bom.